
Na política externa, o governo Lula optou por um alinhamento que causa perplexidade e constrangimento. Ao prestigiar e legitimar ditadores e regimes autoritários — como os de Cuba, Nicarágua, Venezuela, Irã, China, Rússia e Coreia do Norte — o Brasil abandona a tradição diplomática de defesa da democracia, dos direitos humanos e das liberdades civis. Um governo eleito pelo voto popular não pode, sem grave contradição moral e política, apoiar regimes que silenciam a oposição, reprimem a imprensa, criminalizam dissidentes e governam sob estados permanentes de exceção. É um péssimo exemplo — para dentro e para fora do país.
No plano institucional, o balanço é igualmente negativo. O governo fracassou em promover reformas estruturais indispensáveis ao Estado brasileiro. Não avançou na reforma administrativa, não enfrentou a distorção do sistema político, não propôs uma agenda séria para a segurança pública e tampouco apresentou correções estruturais na previdência. Optou pela inércia, preservando um Estado caro, ineficiente e capturado por interesses corporativos e partidários.
Na economia, a estratégia foi ainda mais preocupante. O país voltou a se endividar de forma acelerada para sustentar uma política pública baseada em benefícios, subsídios e bondades de curto prazo — claramente orientada à lógica eleitoral, e não à sustentabilidade fiscal. Para isso, o governo subverteu a Lei das Estatais, concebida justamente para impedir a captura político-partidária das empresas públicas. A regra que vedava a nomeação de políticos ativos nos últimos cinco anos foi anulada com a colaboração do Supremo Tribunal Federal, desmontando a quarentena e abrindo espaço para indicações de aliados partidários. Um arranjo institucional deletério.
No campo fiscal, o chamado “arcabouço” foi esvaziado por exceções oportunistas. Despesas foram retiradas do seu alcance para que a meta legal fosse formalmente cumprida — não por responsabilidade, mas por gambiarra. O resultado é um ambiente de desconfiança permanente, juros estruturalmente elevados e crescimento comprometido.
Os juros, aliás, estão quebrando o Brasil real. A política monetária vigente favorece a valorização artificial da moeda, incentiva a especulação financeira e desestimula o investimento produtivo. A banca internacional lucra com o diferencial de juros e com ativos financeiros desvinculados de ganhos reais de produtividade. A banca nacional ri à toa, sustentada por um diferencial obsceno entre inflação e juros básicos — hoje superior a três vezes. O Banco Central, nesse contexto, parece cada vez mais comprometido com os interesses do sistema financeiro, e cada vez menos com o desenvolvimento econômico do país.
O resultado é um Brasil travado: institucionalmente frágil, fiscalmente contorcido, economicamente distorcido e moralmente incoerente em sua política externa. Um projeto de poder que cobra caro da sociedade — hoje e no futuro.

