
A escolha por carros e caminhões destruiu o sistema ferroviário. O governos capitularam frente aos fabricantes de veículos. Foi a decisão mais equivocada da ditadura militar e confirmada pela Nova Republica. Entregaram a possibilidade de de redução de custo e menor investimento público para atender as empresas de automóveis. Agora ainda estudam como retomar a ligação ferroviária entre o planalto e a baixada. Segue abaixo possíveis cursos e alternativas.
O plano atualmente em estudo pelo Governo do Estado de São Paulo chama-se Trem Intercidades (TIC) Eixo Sul, cujo objetivo é ligar o Planalto Paulista à Baixada Santista por ferrovia. O empreendimento ainda não possui traçado definitivo, mas alguns cenários já foram divulgados.
As características gerais previstas são:
| Item | Previsão |
|---|---|
| Investimento | cerca de R$ 15 bilhões |
| Extensão | 80 a 130 km |
| Tempo de viagem | aproximadamente 90 minutos |
| Municípios atendidos | 9 |
| Modelo | Parceria Público-Privada (PPP) |
Segundo o cronograma do Estado, a audiência pública está prevista para 2027, seguida do edital e do leilão da concessão, com contratação estimada para 2028.
As três alternativas estudadas
1. Via ABC – Paranapiacaba – Cubatão (a mais provável)
É a alternativa que vem ganhando força.
Trajeto aproximado:
- São Paulo
- Santo André
- Mauá
- Rio Grande da Serra
- Paranapiacaba
- Cubatão
- Santos
A principal vantagem é aproveitar parte da antiga Linha Santos–Jundiaí e recuperar o antigo sistema ferroviário da Serra do Mar. Em declarações recentes, o governador afirmou que restaurar o antigo sistema da serra pode ser mais econômico do que construir um grande túnel novo.
2. Via Mongaguá
Nesse cenário, o trem sairia da capital pela zona sul, utilizaria a antiga ferrovia rumo a Parelheiros e desceria a Serra do Mar em direção a Mongaguá, chegando depois a Santos.
Vantagens:
- declividade menor;
- engenharia menos complexa.
Desvantagem:
- percurso mais longo.
3. Novo túnel sob a Serra do Mar
Foi uma das primeiras ideias estudadas.
Características:
- túnel ferroviário de aproximadamente 30 km;
- praticamente uma linha nova entre o planalto e o litoral.
É considerada a solução tecnicamente mais moderna, porém também a mais cara, motivo pelo qual perdeu prioridade.
Integração com o Metrô e CPTM
Os estudos preveem que o passageiro poderá embarcar em estações da rede metropolitana antes de seguir para Santos.
Entre as estações estudadas aparecem:
- Brás
- Juventus–Mooca
- Ipiranga
- Utinga
- Prefeito Saldino
- Mauá
- Rio Grande da Serra
Isso permitirá integração direta com o sistema metroferroviário da Região Metropolitana de São Paulo.
Minha avaliação técnica
Se o objetivo for obter a melhor relação entre custo, prazo e benefício, a alternativa via Paranapiacaba parece a mais racional.
Ela apresenta vantagens importantes:
- aproveita um corredor ferroviário histórico já existente;
- exige menor intervenção ambiental na Serra do Mar;
- atende diretamente o ABC Paulista;
- facilita a integração com a Linha 10 da CPTM;
- reduz o investimento em comparação com um túnel totalmente novo.
Por outro lado, será necessário compatibilizar a operação com a malha de cargas da concessionária ferroviária, o que representa um dos principais desafios do projeto.
Esse projeto é considerado um dos mais complexos do programa paulista de trens intercidades justamente por envolver a travessia da Serra do Mar, uma das regiões de engenharia ferroviária mais desafiadoras do Brasil.


