
Lula adota uma postura que, a meu ver, lembra a de um chefe político disposto a interferir nos processos eleitorais de países vizinhos. No ano da eleição de Javier Milei, teria enviado a Buenos Aires uma equipe de cerca de vinte marqueteiros, liderada por um sócio do atual ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, com o objetivo de apoiar a candidatura de Sergio Massa, aliado do kirchnerismo e representante de uma esquerda de viés populista. A estratégia fracassou. Milei foi eleito.
O governo brasileiro também reconheceu a continuidade do regime de Nicolás Maduro, posição que foi alvo de críticas por parte de diversos governos e analistas, diante das controvérsias sobre a legitimidade do processo eleitoral venezuelano. Ao longo dos últimos anos, Lula manifestou apoio político a candidatos e governos identificados com a esquerda latino-americana. Na minha avaliação, muitos desses grupos não representam uma esquerda comprometida com valores democráticos, mas projetos de poder marcados pelo oportunismo político.
A retórica do governo tampouco contribui para elevar o nível do debate público. O atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, chamou o presidente argentino Javier Milei de “palhaço”, ampliando o desgaste diplomático entre os dois países. Declarações dessa natureza são incompatíveis com a sobriedade que se espera das relações internacionais.
Não falta baixaria no ambiente político do atual governo. Ainda assim, Lula poderá ser reeleito. Não pelos méritos de sua administração, mas, principalmente, pela incapacidade da oposição de construir uma candidatura competitiva, unificada e capaz de convencer a maioria do eleitorado. Em política, a incompetência dos adversários pode ser tão decisiva quanto os acertos de quem governa. Hoje, esse parece ser o maior patrimônio eleitoral de Lula.


