
Editorial com dados da IA Chapgpt.
A Venezuela não entrou em colapso por um acidente histórico, nem por um complô externo isolado. O que se viu ao longo de mais de duas décadas foi a execução sistemática de um projeto de poder que desmontou o Estado, destruiu a economia e empurrou a sociedade para a miséria e o exílio.
Sob Hugo Chávez e, de forma ainda mais aguda, sob Nicolás Maduro, o país percorreu um caminho conhecido: concentração de poder, aparelhamento institucional, desprezo pela técnica e substituição da governança pela coerção. O resultado não poderia ser outro.
Os números são eloquentes. A economia venezuelana encolheu mais de 75% entre 2013 e 2021, uma das maiores contrações já registradas no mundo em tempos de paz. A moeda foi destruída. Em 2018, a inflação atingiu 130 mil por cento, um marco de desorganização econômica absoluta. O salário deixou de cumprir sua função básica: permitir a sobrevivência.
O Estado, insolvente, decretou calote em 2017. O passivo acumulado — entre US$ 150 e 170 bilhões — equivale hoje a cerca de duas vezes o PIB do país. Não há retórica revolucionária capaz de esconder esse fato elementar: a Venezuela quebrou.
O coração produtivo do país, o petróleo, foi desmontado. A produção caiu de cerca de 3,5 milhões de barris por dia, no fim dos anos 1990, para menos de 500 mil barris em 2020 — uma queda de 85%. Houve alguma recuperação recente, mas ainda muito distante do nível histórico. Não se trata apenas de sanções: trata-se de má gestão, politização da PDVSA e expulsão de quadros técnicos, substituídos por lealdade ideológica.
O colapso econômico produziu uma tragédia humana. Quase 7 milhões de venezuelanos deixaram o país, cerca de um quarto da população. É o maior êxodo da história contemporânea da América Latina. Foram embora, majoritariamente, jovens, profissionais, técnicos e universitários. Um país não perde esse contingente sem comprometer o seu futuro.
A educação superior é um retrato desse desastre. As matrículas universitárias caíram entre 40% e 50%. O número de formandos despencou cerca de 60%. Mais da metade dos professores universitários abandonou o país. A Venezuela não apenas empobreceu — ela interrompeu a reposição de capital humano, condição básica para qualquer reconstrução.
No plano institucional, o desmonte foi completo. A separação de poderes virou formalidade. O Judiciário tornou-se instrumento político. Milícias armadas pró-regime operam com tolerância do Estado. A repressão substituiu o debate. Segundo índices internacionais, o país figura entre os menos livres e mais corruptos do mundo.
Não se trata, portanto, de uma “crise cíclica”, nem de uma “fase difícil”. A Venezuela vive um processo de decadência estrutural, em que o colapso econômico é consequência direta do colapso institucional. Primeiro destruiu-se o Estado de Direito; depois vieram a inflação, a pobreza, o êxodo e a violência.
A lição é dura, mas necessária. Não existe justiça social sem instituições, não existe soberania sem responsabilidade fiscal, e não existe projeto nacional baseado na destruição da liberdade, da técnica e da transparência.
A Venezuela é hoje um alerta histórico. Ignorá-lo é repetir o erro.


