
Membros do STF passaram a atuar de forma autônoma dentro da própria instituição para enfrentar temas que fogem ao espectro constitucional. Avançaram sobre a condução de processos de liquidação bancária e sobre a apuração de vazamentos de informações deles decorrentes, áreas que não lhes competem diretamente. Polícia Federal e Banco Central tornaram-se alvos de ministros da Corte.
Há sinais claros de que interesses particulares passaram a contaminar o Supremo Tribunal Federal. O Brasil real assiste, perplexo, a um desvio de função institucional sem reação à altura. Ninguém se levanta para impor um limite claro a esse movimento.
A mídia denuncia, expõe os fatos, cumpre seu papel. As instituições, no entanto, permanecem inertes. A sociedade civil não reage. Os demais ministros do STF seguem em silêncio. O Congresso está em recesso formal, mas sua direção não está — e tampouco se manifesta.
Quem dará paradeiro ao que estamos assistindo?
O corpo social brasileiro encontra-se paralisado, em um estado que oscila entre a catatonia e a perplexidade. A desordem surge quando a ordem é subvertida. A solução não é simples, mas permitir que tudo caminhe ao sabor do acaso é, certamente, a pior delas.
O Brasil assiste, de forma catatônica, ao desmonte parcial da funcionalidade do Estado. O retorno à ordem institucional é imprescindível para a estabilidade democrática. É fundamental interromper a lógica patrimonialista que se infiltra no aparelho público.
O Estado existe para servir à nação — e não a interesses particulares ou a grupos de interesse.


