
O governo do PT consolidou, ao longo dos últimos anos, o hábito de apoiar regimes autoritários de esquerda na América Latina. Cuba, Nicarágua e Venezuela tornaram-se destinatários de uma política externa ideologizada, que rompe com a tradição histórica da diplomacia brasileira.
Durante décadas, o Brasil pautou sua atuação internacional por critérios de neutralidade ativa. O reconhecimento de governos nunca significou endosso político, muito menos apoio irrestrito a práticas internas. Essa linha foi abandonada com a ascensão do PT ao poder.
O caso da Venezuela é o mais grave e emblemático. O apoio brasileiro foi explícito e incondicional. Sob Hugo Chávez e, posteriormente, Nicolás Maduro, o país assistiu à supressão sistemática das liberdades individuais, à expropriação de empresas privadas, à instalação de um regime de exceção permanente, ao silenciamento da oposição e à corrosão completa do processo eleitoral, marcado por fraudes recorrentes e ausência de garantias democráticas.
Organismos internacionais e entidades independentes atribuem ao regime venezuelano a responsabilidade por milhares de mortes de opositores, estimadas em cerca de 6.500 vítimas, em decorrência direta da repressão estatal e da atuação de forças paramilitares. A tragédia humanitária produziu um êxodo sem precedentes: aproximadamente 6,9 milhões de venezuelanos, cerca de 23% da população, deixaram o país fugindo da pobreza, da violência e da ausência total de perspectivas.
O colapso econômico é igualmente devastador. A produção de petróleo, que chegou a 3,3 milhões de barris por dia, despencou para cerca de 1,1 milhão. Em duas décadas, o PIB encolheu cerca de 75%. Os investimentos evaporaram. Estima-se que 90% da população viva hoje em situação de miséria, sendo 70% em miséria extrema.
Diante desse quadro, o Brasil não apenas falhou em exercer qualquer mediação efetiva em favor do povo venezuelano, como optou por sustentar politicamente um regime responsável por um dos maiores desastres institucionais e humanitários da história recente da região.
Ao apoiar um governo facínora, o Brasil perdeu credibilidade, autoridade moral e capacidade de interlocução. Hoje, encontra-se desautorizado para oferecer qualquer contribuição relevante à reconstrução democrática da Venezuela.
É imperativo reconhecer o erro. Persistir no apoio à manutenção do regime atual não é política externa — é cumplicidade. Cabe ao Brasil retomar uma pauta responsável, abandonar alinhamentos ideológicos automáticos e deixar claro que não apoia ditaduras, sejam elas de esquerda ou de direita. O silêncio ou a conivência apenas aprofundam o descrédito internacional do país.


