
Os escândalos envolvendo o roubo de recursos públicos sempre produzem repercussão imediata na sociedade brasileira. O caso mais recente — o desvio de recursos de aposentados por sindicatos, com o beneplácito do INSS — não foge à regra. Ainda assim, seu potencial de impacto eleitoral tende a ser limitado. Como os benefícios foram pagos e não houve, ao menos até aqui, prejuízo direto e generalizado aos beneficiários, o dano político é mitigado.
A experiência histórica da Nova República reforça essa leitura. Os grandes escândalos de corrupção não foram capazes de alterar, de forma decisiva, o curso das eleições. O Mensalão não impediu vitórias eleitorais subsequentes do grupo político no poder. O Petrolão, ainda mais grave em escala e complexidade, tampouco produziu efeito eleitoral proporcional à sua dimensão.
Dilma Rousseff não perdeu o mandato em razão dos escândalos que marcaram seu governo, mas por violar regras elementares da contabilidade pública. Lula, por sua vez, foi condenado em três instâncias por favorecimento a empreiteiras. Posteriormente, teve suas condenações anuladas não por julgamento de mérito, mas por decisão processual do STF, que afastou a competência da Vara de Curitiba e remeteu os processos à primeira instância do Distrito Federal, onde a prescrição já estava consolidada. O mérito das acusações jamais foi enfrentado. O resultado foi a extinção das penas pelo decurso do tempo e o retorno de Lula à Presidência da República.
A campanha que o reconduziu ao cargo foi desprovida de propostas estruturantes. Não houve compromissos claros, promessas factíveis ou agenda de reformas. Ainda assim, venceu.
Diante desse histórico, é razoável concluir que dificilmente haverá escândalo capaz de abalar de forma significativa as candidaturas de 2026. O fator decisivo tende a ser outro: o desgaste difuso da população diante da sensação de impunidade, da precariedade da segurança pública, da fragilidade do sistema de saúde e da corrosão do poder de compra provocada pela inflação ou por uma eventual retração econômica.
A manutenção de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, segue sendo um elemento central de estabilidade política. Já a educação permanece como prioridade apenas no discurso. Na prática, continua relegada a segundo plano, incapaz de mobilizar o eleitorado ou produzir transformações estruturais no país.
