
O Brasil está sequestrado por corporações públicas e interesses empresariais organizados. O jogo do benefício mútuo venceu. O povo ficou em segundo plano. O Estado brasileiro transformou-se, em grande parte, em instrumento de proteção de privilégios, distribuição de favores e preservação de grupos instalados no poder.
O Partido dos Trabalhadores está há cerca de vinte anos ocupando o centro do poder nacional. Durante décadas discursou sobre igualdade social, combate aos privilégios e ampliação de oportunidades. Na prática, pouco mudou estruturalmente. O país continua marcado pela baixa qualidade educacional, insegurança, burocracia, desigualdade de produtividade e incapacidade de crescimento sustentado.
Ao chegar ao poder, o PT não rompeu com os mecanismos tradicionais da política brasileira. Adaptou-se a eles. Aliou-se aos velhos operadores do sistema fisiológico e incorporou-se à lógica do Centrão. A máxima tornou-se explícita: “é dando que se recebe”. O presidencialismo de coalizão degenerou em balcão permanente de interesses.
O Brasil não melhorou economicamente por mérito do Estado. Cresceu em determinados períodos muito mais pela força do mercado internacional, pelo agronegócio, pelo setor privado e pelos ciclos externos favoráveis do que por reformas estruturais promovidas pelos governos. Em contrapartida, deteriorou-se moralmente pela complacência com a corrupção, pela tolerância com o desperdício público e pela incapacidade de enfrentar com firmeza o crime organizado.
O país precisa mudar. As eleições representam uma oportunidade. Talvez seja esta. Se não for, outras virão. Mas o tempo passa rapidamente e outras nações avançam porque não flertam com o fracasso institucional. Em muitos países, maus gestores são afastados da vida pública. No Brasil, frequentemente são reciclados politicamente.
Nos últimos quatro anos, nenhum privilégio corporativo relevante foi reduzido. Ao contrário: benefícios foram mantidos, ampliados ou blindados. O governo Luiz Inácio Lula da Silva fracassou nesse aspecto. Faltou coragem para estabelecer critérios rigorosos na distribuição de recursos públicos e prioridade efetiva ao interesse coletivo.
Executivo e Legislativo renderam-se ao populismo fiscal, à fragmentação política e à lógica da sobrevivência eleitoral permanente. O resultado é um Estado caro, lento, ineficiente e incapaz de entregar serviços públicos compatíveis com a carga tributária que impõe à sociedade.
Quando instituições de Estado são enfraquecidas pela mediocridade administrativa, pela ausência de meritocracia e pelo loteamento político, o fracasso nacional deixa de ser hipótese e passa a ser risco concreto. Nenhuma nação prospera sustentando privilégios indefinidamente enquanto abandona eficiência, educação, segurança e produtividade.


