
Lula decidiu o destino político de Geraldo Alckmin: será novamente candidato a vice-presidente. Não por projeto de país, mas por conveniência eleitoral.
Alckmin hoje está no Partido Socialista Brasileiro — um abrigo circunstancial. Não há ali identidade ideológica. Há aluguel de legenda. O socialismo, nesse caso, virou apenas um rótulo funcional.
Sem espaço político em São Paulo, Alckmin se reposiciona como peça de composição nacional. Mas o cenário mudou. Simone Tebet, desfiliada do Movimento Democrático Brasileiro, demonstra hoje maior densidade eleitoral. Seus índices no Mato Grosso do Sul — estado onde construiu sua trajetória — são expressivos e indicam viabilidade real ao Senado. Agora uma socialista também.
A outra vaga segue em aberto. Pode ser Marina Silva, nome com boa aceitação nacional. Pode ser Márcio França, que prefere uma posição mais estável e competitiva. Enquanto isso, Fernando Haddad ensaia repetir a fórmula: um vice sem lastro ideológico, mas útil ao arranjo.
O quadro é claro: os partidos deixaram de ser instrumentos de representação para se tornarem veículos eleitorais e operadores de fundo público. Ideologia cedeu lugar à conveniência. Programa foi substituído por cálculo.
A eventual candidatura de Alckmin não nasce de convicção — nasce de oportunidade. Funcionou antes. A aposta é que funcione novamente.
Mas há um custo institucional nisso tudo.
E ele já está sendo pago.


