Lula vencerá a eleição por incapacidade da oposição.

Se nada mudar de forma relevante até 2026, tudo indica que Luiz Inácio Lula da Silva chegará à eleição em posição favorável. Uma vantagem próxima de cinco pontos percentuais, embora não definitiva, é suficiente para colocar o governo em situação confortável. A oposição ainda não conseguiu apresentar uma narrativa consistente capaz de convencer amplos setores da população de que possui um projeto alternativo mais eficiente para o país.

O tempo, entretanto, continua sendo um aliado da oposição. Há espaço para reorganização, definição de lideranças, construção de propostas e formação de alianças. O problema é que o relógio corre. Cada mês sem uma estratégia clara reduz a capacidade de disputar o eleitorado de centro, que tradicionalmente decide eleições presidenciais.

A percepção de parte dos críticos do governo é que o Brasil caminha para um aumento contínuo dos gastos públicos, expansão da dívida e crescimento das dificuldades fiscais. Para esse grupo, a atual política econômica posterga ajustes necessários e transfere custos para os próximos governos. A preocupação não está apenas no presente, mas na sustentabilidade das contas públicas ao longo dos próximos anos.

Se a oposição não conseguir se reorganizar, outro nome poderá emergir como beneficiário natural do processo político: Geraldo Alckmin. Poucos políticos brasileiros acumularam experiência administrativa comparável. Governou o maior estado da federação durante vários mandatos, participou de diferentes coalizões e construiu uma imagem de gestor moderado e previsível.

Existe uma aparente contradição em sua trajetória recente. Identificado durante décadas com posições de centro e centro-direita, tornou-se vice-presidente em uma chapa liderada pela esquerda. Para alguns, trata-se de pragmatismo político; para outros, de capacidade de diálogo e construção de consensos. Independentemente da interpretação, permanece como uma das figuras mais experientes da política nacional.

Muitos dos que hoje observam o cenário político enxergam em Alckmin um perfil distinto daquele apresentado durante as campanhas presidenciais passadas. Consideram que sua experiência administrativa, seu estilo discreto e sua capacidade de negociação poderiam produzir um governo de maior previsibilidade econômica e institucional. É uma hipótese que permanece no campo da especulação, mas que certamente continuará presente nos debates sobre a sucessão presidencial.

Por enquanto, porém, a realidade é outra. O governo mantém vantagem, a oposição procura um caminho e o eleitor aguarda respostas para questões concretas: inflação, juros, segurança pública, saúde, educação e crescimento econômico. Quem apresentar respostas mais convincentes para esses problemas terá maiores chances de conduzir o Brasil a partir de 2027.

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