O regulamento das terras raras no Senado

Os minerais estratégicos para a economia verde, indústria militar, IA e outro estão sob análise do Congresso. O relator na Câmara foi o deputado Arnaldo Jardim. Captou o essencial. Criou o Conselho Nacional de materiais estratégicos para cumprir a intenção de valorizar a verticalização do setor. Da mineração para a transformação. Principais pontos:

1. Controle da exportação de minério bruto

O Congresso discute limitar ou condicionar a exportação de terras raras sem beneficiamento industrial no Brasil.

A lógica é:

  • evitar que o Brasil apenas exporte matéria-prima barata;
  • estimular a industrialização nacional;
  • obrigar agregação de valor dentro do país.

O texto permite que o governo imponha condições para exportação de minerais estratégicos.

Isso lembra modelos usados por:

  • China;
  • Indonésia (níquel);
  • alguns países africanos produtores de minerais estratégicos.

2. Incentivos fiscais para industrialização nacional

O projeto prevê:

  • créditos fiscais;
  • incentivos tributários;
  • financiamentos especiais;
  • apoio estatal ao processamento mineral.

Quanto maior o processamento feito no Brasil, maiores seriam os benefícios fiscais.

O objetivo é criar:

  • refinarias;
  • indústria química mineral;
  • cadeia de baterias;
  • indústria de magnetos;
  • componentes eletrônicos.

Hoje o Brasil exporta muito minério e importa produtos industrializados.


3. Fundo garantidor bilionário

O projeto cria o:

  • Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM),

com previsão de cerca de:

  • R$ 2 bilhões de aporte público inicial.

A finalidade seria:

  • garantir financiamentos;
  • reduzir risco de investimento;
  • apoiar mineração e processamento estratégico.

4. Soberania nacional sobre minerais estratégicos

Esse talvez seja o ponto politicamente mais sensível.

Existe forte preocupação no Congresso sobre:

  • controle estrangeiro das reservas brasileiras;
  • avanço de chineses e americanos;
  • dependência geopolítica.

Parte dos parlamentares defende:

  • maior participação estatal;
  • limites à atuação estrangeira;
  • supervisão estratégica federal.

Outros defendem:

  • abertura ao capital internacional;
  • rapidez nos licenciamentos;
  • atração de multinacionais.

5. Proposta da “TerraBras”

Há um projeto separado (PL 1754/2026) propondo criar a empresa estatal “TerraBras”.

Ela teria funções como:

  • participação estatal na exploração;
  • defesa da soberania mineral;
  • modelo semelhante ao da Petrobras no pré-sal;
  • possibilidade de regime de partilha mineral.

Esse tema divide profundamente:

  • nacionalistas defendem;
  • setor privado e mineradoras criticam.

6. Licenciamento ambiental acelerado

Outro eixo importante:

  • prioridade de licenciamento para minerais estratégicos.

O setor produtivo reclama que:

  • o Brasil demora anos para licenciar projetos;
  • perde competitividade para China, EUA e Austrália.

Já ambientalistas alertam:

  • riscos ambientais graves;
  • contaminação química;
  • impacto radioativo em alguns minerais associados.

7. Guerra geopolítica EUA x China

O pano de fundo real do debate é geopolítico.

A China domina cerca de:

  • 85% a 90% da cadeia mundial de terras raras.

Os EUA tentam:

  • diversificar fornecedores;
  • reduzir dependência chinesa;
  • aproximar-se do Brasil.

Por isso o tema virou estratégico:

  • militarmente;
  • industrialmente;
  • diplomaticamente.

8. Formação de cadeia industrial brasileira

O Congresso discute como transformar o Brasil em:

  • produtor de baterias;
  • fabricante de ímãs permanentes;
  • produtor de componentes tecnológicos.

A ideia é:
não repetir o modelo histórico de exportador de commodities.

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