Toffoli sairá pela porta da frente ou dos fundos ?

Não pelo voto direto. Não pela consagração popular. Não pela trajetória exemplar na magistratura. Nem qualidades técnicas jurídicas. Entrou por articulação política.

Advogado vinculado ao partido no poder, operador de soluções convenientes, personagem funcional a um projeto — não necessariamente à República. Sua biografia pública é marcada menos por produção jurídica consistente e mais por alinhamento estratégico.

Foi candidato à magistratura de primeira instância e não prosperou. A história registra. O currículo não o elevou. O contexto político o conduziu.

No exercício da função, tornou-se protagonista em decisões sensíveis envolvendo aliados, empreiteiras e interesses orbitais do poder. Sempre haverá justificativas técnicas. Sempre haverá fundamentações jurídicas. Mas a percepção pública é outro tribunal — e esse tribunal começa a formar maioria.

O problema não é apenas jurídico. É simbólico.

Quando a sociedade passa a enxergar parcialidade onde deveria haver neutralidade, instala-se a corrosão da confiança institucional. E sem confiança, não há Supremo forte, não há Senado respeitado, não há democracia estável.

A pressão social cresce. O desgaste acumula. O Senado — constitucionalmente responsável pelo freio — não poderá indefinidamente ignorar a temperatura das ruas.

A pergunta não é se haverá custo. A pergunta é a dimensão.

A história é implacável com quem confunde circunstância com legitimidade.

O tempo dirá se sairá pela porta principal, ou conduzido pelo desgaste que se avoluma e pelo julgamento político que se impõe.

Democracias sobrevivem quando instituições são maiores que projetos pessoais.

E a paciência pública não é infinita.

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