
Flávio Bolsonaro acaba de entregar a Lula um presente de Natal antecipado. Se o presidente não fizer mais nada — e, sobretudo, se resistir à tentação de tripudiar — poderá ver aberto o caminho para o quarto mandato.
A associação de um candidato bolsonarista a Daniel Vorcaro, figura ligada ao colapso do Banco Master e sob graves acusações, atingiu o ponto mais sensível da direita: a confiança do mercado. A Reuters registrou que Flávio confirmou ter tratado com Vorcaro de um patrocínio privado para um filme sobre Jair Bolsonaro, negando irregularidades. Ainda assim, o episódio abalou mercados e contaminou a disputa presidencial.
O bolsonarismo parece ter criado seu próprio impasse. Não há substituto natural, não há narrativa limpa e não há tempo político sem custo. O resultado pode ser o pior dos mundos: caminho livre para Lula.
Para o Brasil, porém, isso significaria mais quatro anos de atraso. Um governo leniente diante do crime organizado, irresponsável na política fiscal, complacente com velhas estruturas sindicais e incapaz de entregar crescimento consistente. Quatro anos de Lula suficientes. Mais quatro anos de quase nada seriam demais para um país exausto.
Lula, agora, será obrigado também a se definir no plano internacional. A esquerda sempre teve dificuldade em reconhecer os fracassos de Cuba, da Venezuela e das autocracias que dizia compreender. Resta saber como se posicionará diante do Irã e das forças que orbitam Hamas, Hezbollah e Houthis.
A política brasileira, mais uma vez, parece condenada a escolher entre o desgaste moral de uns e o atraso programático de outros. Se Lula vencer por falta de adversário, a responsabilidade será também de quem lhe entregou a eleição embrulhada para presente.


