
O governo não consegue explicar de forma convincente por que o Brasil convive com juros tão elevados. Também não parece empenhado em estabelecer um diálogo claro com a sociedade sobre quais medidas pretende adotar para criar condições que permitam sua redução de forma sustentável. Em vez de oferecer previsibilidade, transmite sinais que frequentemente parecem contraditórios para investidores, empresários e cidadãos.
Enquanto isso, uma parcela expressiva da população continua apoiando o governo, mesmo diante das dificuldades econômicas e da deterioração das contas públicas. Outra parcela aguarda uma mudança de rumo que, até o momento, não se materializou. Muitos ainda esperam que soluções rápidas revertam problemas que exigem reformas estruturais, disciplina fiscal, segurança jurídica e crescimento consistente da produtividade.
Uma relação de cooperação institucional entre Executivo e Legislativo poderia estar concentrada na construção de uma agenda de interesse nacional, baseada em responsabilidade fiscal, redução de privilégios, racionalização dos gastos públicos e fortalecimento das instituições. O país necessita de acordos voltados à estabilidade e ao crescimento, e não apenas de entendimentos destinados à formação de maiorias políticas ou à distribuição de espaços de poder.
O cenário eleitoral, neste momento, sugere poucas mudanças relevantes. Permanecem as incertezas econômicas, a dificuldade de coordenação das políticas públicas e a sensação de que muitas declarações oficiais não se traduzem em ações coerentes. O discurso frequentemente aponta para uma direção, enquanto as decisões práticas caminham em outra, alimentando a percepção de que a comunicação política muitas vezes prevalece sobre a formulação de políticas consistentes.
Na visão de muitos críticos do governo, a prioridade do Executivo tem sido preservar sua base política, proteger seus aliados e avançar em sua agenda programática, mantendo como objetivo central a vitória nas próximas eleições. Seus defensores, por outro lado, sustentam que as políticas adotadas buscam ampliar programas sociais, estimular a atividade econômica e preservar a governabilidade em um ambiente político altamente fragmentado.
Independentemente da posição adotada, permanece um desafio que ultrapassa governos e partidos: restaurar a confiança na condução da economia, reduzir a incerteza e construir um ambiente institucional capaz de estimular investimentos, gerar empregos e devolver previsibilidade ao país.


